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Anti-heróis

Os velocistas gregos Costas Kenteris e Ekaterina Thanou são os primeiros anti-heróis em Atenas. Já eram antes mesmo da abertura oficial da Olimpíada. Traíram a pátria e o esporte. Corriam o risco de serem desmacarados e por isso fugiram de um teste antidoping às vésperas da Olimpíada. Inventaram um acidente de moto e foram hospitalizados. Agora, desistiram de competir em Atenas.

Kenteris foi campeão olímpico dos 200 metros rasos em Sidney. Thanou medalhista de prata no Mundial. Deveriam devolver essas medalhas. Seriam mais honrosos do que foram ao aceitar o caminho do doping.

 



Escrito por pj marques às 12h21
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Os primeiros heróis (1)

 

            Estes Jogos Olímpicos em Atenas já têm seus primeiros heróis. Verdadeiros campeões de carne e osso, que fizeram da dor o estimulante para a vitória. Um russo no judô e uma grega no tênis deram ao mundo o real exemplo olímpico e esportivo. Como aquela maratonista suíça em Los Angeles que entrou no estádio olímpico na derradeira prova do atletismo cambaleando e guiando-se apenas no grito que vinha das arquibancadas. Sem força nas pernas, sem fôlego, no limite extremo de seu corpo, ainda assim ela cruzou a linha final. Uma cena que vou lembrar para sempre como uma das mais emocionantes do esporte.

 

Os primeiros heróis (2)

 

            Na terça-feira em Atenas o russo Dmitri Nossov e a grega Eleni Daniilidou escreveram seus nomes na história entre os legítimos heróis olímpicos.

            Derrotado na semifinal e com o ombro seriamente lesionado, Nossov superou a dor, as limitações físicas e o rival do Azerbaijão para vencer a luta pela medalha de bronze. Ao final, exausto, ajoelhado no tatame e com o rosto ensangüentado por um golpe no supercílio Nossov poderia ser comparado a um guerreiro da Antiga Grécia ganhador de uma sangrenta batalha.

            Daniilidou, nem medalha ganhou. Será improvável que ganhe. Mas o que fez em quadra para derrotar a veterana búlgara Magdalena Maleeva é suficiente para que ostente a coroa de louros dos heróis olímpicos. A distensão na coxa direita levaria qualquer outro jogador comum a abandonar a partida, mas não essa grega que incorporou o espírito de Zeus para jogar até cair em quadra. Vencedora.

            Os movimentos eram limitados, a dor insuportável, a chance de um golpe vencedor ínfima. Daniilidou contrariou tudo isso e jogou cada lance como sendo o último de sua carreira. E tal como maratonista suíça que não ganhou medalha em Los Angeles, ela venceu seu desafio pessoal.



Escrito por pj marques às 12h11
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Uma luta

 

            Esse é o limite entre a honra e a emoção de ouvir o hino nacional no lugar mais alto do pódio e a conquista de estar nesse mesmo pódio, mas com a medalha de bronze. Foi uma luta, a quarta da série contra um francês, que tirou do paulista Leandro Guilheiro a chance de ouro na categoria leve do judô. Ele seguiu na repescagem até conquistar o bronze e ser o primeiro brasileiro medalhista em Atenas.

Uma vitória sobre o francês levaria Guilheiro e disputar a semifinal e a possibilidade de estar na final. Uma luta. O limite entre a glória e o pódio olímpicos.



Escrito por pj marques às 12h02
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Daiane e Borges (1)

 

            “Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas”. O verso de Chico Buarque é mais atual do que nunca para falar de dois ídolos do esporte brasileiro que desfilaram no fim de semana de Atenas, mas em pólos opostos de suas carreiras. Um se despedindo após três Olimpíadas e quatro medalhas, e outro querendo a glória em sua primeira participação. Ainda assim, dois exemplos de superação, determinação e HUMILDADE. Em letras maiúsculas, porque é um predicado que falta à maioria dos ídolos egocêntricos e arrogantes, e que fazem na altivez e presunção o caminho inverso de suas vidas.

            Gustavo Borges e Daiane dos Santos são dois atletas que merecem servir de exemplo aos jovens brasileiros, atletas ou não. Exemplo de que é possível ter dignidade num meio onde a ilicitude muitas vezes é o caminho mais curto para a medalha.

 

Tudo normal

 

            O Brasil olímpico começou as disputas em Atenas numa normalidade previsível e longe das medalhas como era esperado. Nas provas iniciais onde foram distribuídas as primeiras medalhas – como o remo, ciclismo, tiro, natação, tênis de mesa, judô e esgrima - os brasileiros passaram em branco.

Era esperado, mesmo que entre eles houvesse medalhistas pan-americanos. Mas o Pan-Americano foi uma competição de baixíssimo nível técnico e longe de servir de parâmetro para disputas de maior amplitude mundial. A verdadeira elite está em Atenas nos Jogos Olímpicos e aí percebemos que nossas chances estão restritas a poucos expoentes individuais – Daiane dos Santos e Robert Scheidt, por exemplo – e alguns coletivos – os dois times de vôlei, o basquete feminino e o vôlei de praia.



Escrito por pj marques às 11h44
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